história
   
AdministrativoObedecer ao Papa na liturgia

 

 

Em uma entrevista (publicada no site www.papa.news.it), Dom Albert Malcolm – secretário da Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos – chamava os clérigos de todos os níveis a obedecerem ao Santo Padre: “convido os sacerdotes, os bispos, os cardeais à obediência ao Papa, deixando de lado todo tipo de orgulho”. Na entrevista, o Bispo Secretário demonstra sua preocupação com relação à crescente prática, por parte de clérigos e leigos, de se opor – aberta ou disfarçadamente – às decisões do legítimo sucessor de Pedro com relação à liturgia. Todavia, os sintomas da terrível doença espiritual do orgulho e da desobediência aparecem, não só no que se refere à Liturgia, mas em muitos pontos de fé e moral, sempre ensinados pelo sagrado Magistério. Esquecem-se, com isto, que foi este orgulho prepotente que precipitou os anjos nos abismos (Ap 12, 7-9), que borrou a pintura original (Gn 3), que gerou o grande e terrível Cisma do Ocidente, que continua a gerar as divisões do cristianismo em numerosas e confusas “seitas cristãs”.

Por que não olhamos para os santos? Eles renovaram a Igreja (em nível mundial ou particular) sem precisar sair dela, sem desprezar seu Magistério, sem “cuspir no próprio prato”. Críticos, critiquem a si mesmos! Sejam santos! Sejamos santos também! Este não foi o grande desafio lançado pelo Vaticano II, no capítulo V da Lumem Gentium? Não precisamos imitar os Evangélicos: não empobreçamos nossa Sagrada Liturgia e nossa Doutrina, imitando, na Missa, um culto protestante, com as chamadas “Missa Show”, “Missa de Cura”, “Mega Missa”, “Missa inculturada”... Isto é perder a identidade Católica. Se nós padres e leigos descobrirmos o valor da Santa Missa como Sacrifício de Cristo, compreenderemos que “a simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas” (Bento XVI, Sacramentum Caritatis, n.40).

Quem vai a uma “Missa Show”, a uma “Missa de Cura” (termos proibidos pela Santa Sé), a uma Missa com um “Padre cantor”, mas esquece ou negligencia de participar da Missa dominical de sua paróquia ou comunidade, além de estar incorrendo em pecado grave, ainda não descobriu o que é a santa Missa, e é um forte candidato a abandonar a Igreja, no primeiro escândalo de um ministro seu. Não são as palmas, os pulos, os cânticos, a emoção que fazem a Missa. Tudo isso é secundário e, por vezes, nocivo. O essencial é “ a ação de Deus (actio Dei) que nos envolve em Jesus por meio do Espírito”; portanto, “o seu fundamento não está à mercê do nosso arbítrio e não pode suportar a chantagem das modas passageiras” (Bento XVI, Sacramentum Caritatis, n.37).

Pe. José Lenilson de Morais
Prof. do Seminário de São Pedro - Arquidiocese de Natal

   

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