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A Bíblia e sua divisão

O homem moderno imerso na sociedade secularizada, no âmbito do sagrado pode indagar-se: Que coisa é a Bíblia? Para muitos, também cristãos, é um daqueles volumes que se encontram nas bibliotecas, que podem oxalá representar um sucesso editorial, mas que não sonharia nunca de ler. Para um católico, consciente da sua fé, a Bíblia é um livro diferente de todos os outros: é o Livro por excelência, ligado diretamente à revelação que forma o objeto da sua fé. No Deus que se revelou como Aquele que é (Ex 3,14). Conhecido através do tetragrama hebraico IHWH, que inserindo as vogais temos Iahweh, Javé.
A Bíblia nos é apresentada como o livro de um povo particular, do qual evoca a história, a cultura e a evolução religiosa. Nesta, o cristianismo busca as regras da sua fé e o nutrimento da sua vida espiritual. Compreende, portanto duas partes que são igualmente necessárias: os dois Testamentos (ou as duas alianças). No final do século I da nossa era, as autoridades do judaísmo palestinense estabeleceram a lista oficial, dividindo a primeira parte da Bíblia em três categorias: I. Torá (lei), que compreende cinco livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. II. Nebiîm (profetas), divididos em duas seções: 1.História da época profética: Josué, Judite, 1-2 Samuel e 1-2 Reis. 2. Coleções proféticas: Isaías, Jeremias, Ezequiel, os doze profetas menores (Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias). III. Ketubim (escritos): Salmos, Jó, Provérbios, os cinco rolos (Rute, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações, Ester), Daniel, Esdras, Neemias, 1-2 Crônicas. Este tripé compõe a Sagrada Escritura dos judeus (TANAK). As comunidades judaicas de língua grega utilizavam certo número de óperas que a Igreja primitiva venerou e utilizou como as outras: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e as cartas de Jeremias, 1-2 Macabeus, suplementos a Daniel e alguns capítulos do livro de Ester.
Jesus Cristo nasceu no seio do judaísmo palestinense, do qual falou a língua e compartilhou a vida. No mesmo âmbito escolheu os seus apóstolos, primeiros fundadores da Igreja. Mas não escreveu nada. Aprouve a um grupo de homens escreverem a sua mensagem, desta forma na época apostólica e na sucessiva, o anúncio do Evangelho e o governo das Igrejas deram origem a uma literatura religiosa que conservou sob a forma escrita alguns aspectos da tradição apostólica. Nasce assim, a segunda parte da Bíblia denominada Novo Testamento com seu respectivo bloco de livros: I. Quatro livros apresentam o Evangelho, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. II. Lucas escreveu um segundo livro que descreve a história das origens cristãs: Os Atos dos Apóstolos. III. Uma coleção de cartas apostólicas divididas em dois grupos: 1. Cartas de São Paulo (designadas segundo o nome dos seus destinatários): Romanos, 1-2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1-2 Tessalonicenses, 1-2 Timóteo, Tito, Filemon. A estas, agregamos a carta aos Hebreus, cujo autor é anônimo. III. Cartas católicas: Tiago, 1-2 Pedro, 1-3 João, Judas. IV. Por último um livro profético de gênero particular: O Apocalipse de São João.
O grande Santo Agostinho falando dos dois testamentos, assim expressou-se: “No Antigo Testamento, o Novo encontra-se de forma escondida; no Novo Testamento, o Antigo manifesta o seu sentido.” Ambos nos comunicam à sabedoria que conduz a salvação pela fé em Jesus Cristo. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar ma justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra (2 Tm 3,15b-17).
A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor, já que, principalmente na Sagrada Liturgia, sem cessar toma da mesa tanto da palavra de Deus quanto do Corpo do Cristo o pão da vida, e o distribui aos fiéis. Sempre as teve e tem, juntamente com a Tradição, como suprema regra de sua fé (DV 21).


Pe. Ednaldo Virgílio da Cruz
Mestre em Teologia Bíblica e
Vice-reitor do Seminário de São Pedro

   

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