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As
escolas e as famílias
Na experiência pastoral, como
sacerdote e pastor duma comunidade paroquial, escuto constantemente
os depoimentos de diretores e professores de escolas que estão
detectando a séria e problemática relação
que atualmente está existindo entre as escolas e as famílias.
As questões são múltiplas e variadas e envolvem
dificuldades de ordem materiais, psicológicas e espirituais.
Os depoimentos apresentam atitudes de alunos que trivialmente vem
de famílias desestruturadas. Pais alcoólatras, desempregados,
com dificuldades de relacionamento, indiferentes à dimensão
espiritual, sem engajamento em grupos sociais, com baixo nível
de educação, com crises existenciais, enfim, carências
múltiplas concernentes à dimensão antropológica.
Os questionamentos dos gestores da educação são:
o que fazer? Por que no ambiente escolar, às vezes, muita
coisa parece estar tão caótica? Por que as nossas
crianças e jovens carentes de atenção e afeto?
Professores despreparados e mau remunerados, estruturas físicas
de péssima qualidade Etc.
Como sacerdote disse e tenho convicção disso, que
o que está faltando é amor na vida das pessoas. Qualquer
psicólogo ou psicopedagogo observará esta dificuldade.
Um ambiente familiar no qual não há harmonia entre
pais e filhos não conseguirá enviar para as escolas
alunos equilibrados, e, para sociedade bons cidadãos. Não
é uma questão só sociológica; mas posso
afirmar que é também transcendental. O descaso com
o valor da pessoa humana, que é imagem e semelhança
de Deus, está levando ao total indiferentismo por parte dos
próprios seres humanos da necessidade de valorizar a família
como célula mais importante para a sadia e progressiva realização
de cada membro de qualquer outra instituição. Observando
os ambientes escolares percebemos esta ‘verdade’. Há
uma tentativa de reinvenção de paradigmas, porém
o que está sendo criado para assumir essa realidade fundante
da estrutura social? Nas escolas, sem deixar de refletir sobre as
dificuldades sistêmicas, pode-se perguntar acerca da visão
que temos da necessidade de fazer um intercâmbio permanente
das vivências das famílias e das escolas. Estas precisam
fazer de modo continuado um diagnóstico das reais condições
familiares existentes em cada meio no qual a instituição
está funcionando. Partindo de cada caso e situação
concreta traçar metas que centralizem a pessoa em todo o
processo educativo, que, por sua vez, tanto epistemológico
quanto contextualmente auxiliem no bom desenrolar do processo pedagógico.
Há ainda que lembrar que infelizmente os investimentos na
educação são poucos. Estes, ainda, são
desviados, pelos gestores públicos, da sua finalidade precípua.
Para as escolas e famílias faltam o acompanhamento psicopedagógico,
a merenda escolar que é de má qualidade, o pagamento
de funcionários da educação que não
atinge o piso salarial e, outrossim, saem atrasados, a formação
permanente que não acontece na maioria das escolas por falta
de preparo e perspectivas dos próprios professores; a obrigação
de trabalhar na educação por muitos destes por não
terem outra opção de trabalho, gerando assim a infeliz
e desgastante ação profissional.
Por fim, com força de vontade, parcerias como: família,
escola, igreja e outras entidades não governamentais podem
fazer a diferença nos municípios, pode-se fazer muito
pelo bem das nossas queridas crianças e adolescentes. Quem
ama a vida e reconhece o valor de cada ser humano vai estar sempre
aberto para promover a felicidade e o preenchimento dos mais belos
e universais anseios daqueles que na família, pela escola
e na comunhão com o amor verdadeiro de Deus, serão
o futuro da humanidade. Assim o seja!
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Pe. Matias Soares
Administrador da Paróquia de São Francisco de Assis
Lagoa de Pedras -RN
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