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Dízimo:
Sinal de pertença eclesial
“A missão da Igreja
é anunciar o Evangelho a todas as criaturas. Cristo, luz
dos povos, que brilha na Igreja, deve iluminar todos os homens (Cf.
LG 1)”. A missão da Igreja é essencialmente
missionária. Ser missionário é ouvir, meditar
e viver o que Jesus ensinou e praticou. O elemento sintético
da cristologia dos evangelhos está formulada nesta possibilidade,
a saber: o Jesus Cristo com o qual se faz uma experiência
no tempo de Deus, ou seja, hoje; é o mesmo que através
do discípulo é testemunhado no espaço dos homens.
A pastoral do dízimo é essencialmente missionária.
O objetivo é promover a evangelização de cada
pessoa e da sociedade. Tanto quanto às demais pastorais,
esta deve ser meio de santificação do cristão
batizado. Só o cristão consciente da sua fé
e da sua pertença a uma comunidade de fiéis é
um dizimista autêntico. O dízimo precisa ser uma experiência
da fé da pessoa que se abre à solidariedade. Se pode
dizer que ele se configura no que São Tiago diz na sua carta:
“a fé se não tiver obras é morta em si
mesma. Poderá mesmo alguém dizer: Tu tens a fé,
e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem obras, e eu te
mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Cf. Tg 2,17-18).
O dízimo é conseqüência da confiança
que o fiel tem da ação de Deus em sua vida e na Igreja
como “o sacramento ou o sinal e instrumento da união
com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (Cf.
LG, Idem.).
O dízimo educa para a comunhão e a partilha. Ele não
pode ser tratado como expressão legal da “doação
do dízimo segundo o costume”. O ponto central da conscientização
do dízimo é a “conversão” para
partilha (Cf. 1Cor 16,1-2; 2Cor 9,1-15). A dinâmica do dízimo
é essencialmente comunitária. Ela não se sustenta
como meio individual da prática da filantropia que, por sua
vez, acarreta dois riscos: 1) A manipulação das pessoas
e 2) A oferta comutativa, ou seja, a oferta do dízimo na
expectativa de benefícios individuais. A teologia da prosperidade,
pregada pelas comunidades neopentencostais, e nalgumas situações
por grupos, e padres católicos, está repleta desta
prática. Para ser reconhecida como virtude cristã,
o dízimo tem que ser expressão de amor e de liberdade
interior. O que se observa na comunidade é que os dizimistas
perseverantes são também os mais organizados economicamente.
As pessoas pontuais na doação do dízimo são
mais organizadas internamente com suas responsabilidades. O dízimo
é um fator de formação da pessoa. Por ser um
cristão mais consciente, devido à escuta da Palavra
de Deus e a vivência da mística sacramental, o dizimista
torna-se também um bom cidadão. O discurso de, que,
quem é dizimista recebe o triplo é demagógico
e desonesto. Como prática cristã, o dízimo
nos forma para vivência das virtudes teologais (Cf. 1Cor 13,1-13).
As pessoas que na Igreja são dizimistas por simples simpatias,
quando surgirem quaisquer dificuldades de relacionamentos, com o
padre ou com outro membro da comunidade paroquial, logo deixarão
de colaborar com o bem material e, consequentemente, com o bem espiritual
da Igreja.
Por fim, o dízimo precisa ser tratado como sinal de pertença
eclesial. A vida do fiel que é discípulo de Cristo
e, que, pelo seu batismo está consagrado e vinculado a Deus
e a uma comunidade cristã se une completamente a todos os
desafios econômicos, formativos, missionários e caritativos
do Povo de Deus. O cristão que ama a Jesus Cristo e a sua
Igreja, na pessoa de cada irmão, será um dizimista
feliz e comprometido com o projeto do Reino de Deus. Para o que
é do Senhor nós guardamos e consagramos a melhor parte.
Este é o sentido do dízimo. Assim o seja!
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Pe. Matias Soares
Administrador da Paróquia de São Francisco de Assis
Lagoa de Pedras -RN |