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Padre:
Homem do Amor, da Verdade e da Vida
“Nós padres, em
Cristo, devemos ser Homens do Amor, da Verdade e da Vida”.
A nossa busca permanente precisa ser esta. A dimensão existencial
da nossa vocação humana e cristã tem este horizonte.
Só no seminário de Jesus nós aprendemos que
é assim que Deus o quer. Nós somos chamados para ser
sinal desta proximidade de Deus com o mundo. Não somos deuses
e ninguém o pense que somos. Somos seres humanos. Com uma
condição humana, e, isto, quer dizer tanto. Não
só para nós; como também, para todos que, pela
bondade de Deus, nos são confiados. A nossa consagração
não dispensa as nossas liberdades e consciências. Claro
que ficamos felizes com esta gratuidade de Deus. O padre que não
vive plenamente uma liberdade consagrada, pode sê-lo porque
não sabe que poderia ser feliz sem precisar procurar refúgios
das experiências humanas. Só quem é livre para
amar a verdade e a vida se plenifica e é plenificado como
padre.
Jesus na sua oração sacerdotal fala ao Pai. Daqui
tiro basicamente a primeira conclusão. Só porque ama
é que Jesus deseja falar com Pai. Quiçá, outra
forma de pensar pudesse ver aqui outro anseio de Jesus. Mas não!
Jesus eleva o coração ao Pai, porque o ama. Pela compreensão
do amor de Jesus pelo Pai e do Pai pelo Filho é que podemos
entender que um Deus que é Amor é que possibilita
uma forma única e universal de amar. Não esqueçamos
que Deus é amor (cf. 1Jo 4,8). Hoje, diante de situações
nas quais o ódio e a matança, de culpados e inocentes,
são defendidos como direitos daqueles que não são
lembrados nem ouvidos, como não voltar o nosso coração
para as palavras e gestos de Jesus na hora de tão grandes
sofrimentos? Claro que não se medita sobre estas atitudes!
Não podemos fechar os olhos. O problema está no nosso
tempo e no nosso espaço. Os cristãos estão
perdendo o sentido do amor com o qual Jesus nos amou e por nós
rogou (cf. Jo 17,9-11). Por isso, preenchamos o nosso coração
de amor, pela oração, contemplativa e atuante, e digamos,
como homens amantes de Deus, que podemos anunciar o teu nome...a
fim de que o amor com que nos amas esteja neles e Ele em todos nós
(cf. Jo 17,26; 15,9)”.
O coração sacerdotal de Jesus roga ao Pai que nós
sejamos santificados na verdade; pois a palavra do Pai é
verdade (cf. Jo 17,17). A verdade de Deus não está
condicionada às categorias da inteligência humana.
Só quem faz uma experiência de amor com a palavra criadora,
redentora e santificadora de Deus sabe e saberá o que é
a verdade. A conseqüência da possibilidade do encontro
com a verdade de Deus é um Amor que ama e um Amor que é
amado. A possibilidade é relacional. Num coração
sacerdotal não deveria haver um amor que ama sem ser amado.
Por isso que, na mística cristã, não há
lugar para uma verdade que conhece; mas, outrossim, uma verdade
que se deixa conhecer. O padre que não vive por causa da
verdade nunca desenvolverá a essência da sua identidade
sacerdotal. Nó s existimos por causa da e pela Verdade (cf.
Jo 17,19).
Por fim, o conhecimento de Deus e de Cristo possibilita a vida eterna
(cf. Jo 17,3; 11,25; 5,21). Ele é a vida e a promove em abundância
(cf. Jo 1,4; 10,10). Quem não promove a vida, nem ama e nem
promove a verdade. O coração dum verdadeiro sacerdote
dá a vida por quem ama (cf. Jo 10,11.15). Infelizmente, há
mercenários (cf. Jo 10,13). A plena realização
histórica e divina de Cristo aconteceu porque ele se entregou
à vontade de Deus integralmente. Num mundo com tantos desafios
humanos que nos apelam cotidianamente; nós, sacerdotes, somos
chamados a ser Homens do amor, da verdade e da vida. Assim o seja!
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Pe. Matias Soares
Administrador da Paróquia de São Francisco de Assis
Lagoa de Pedras -RN |