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As
razões da obediência
O consagrado não obstante ao
relativismo religioso que é implantado nas nossas casas de
formação, onde tudo é relativo, isso não
existe mais, isto já passou, estamos vivendo numa outra época,
etc ... Espero que uma coisa não tenha mudado, a busca insistente
por Deus, “tua face, Senhor, eu busco” (Sl 26, 8). Mesmo
o homem hodierno procura, às vezes, de maneira inconsciente,
o rosto de Deus. A busca por inúmeras satisfações
esbarra quando este está diante “Daquele que é
tudo” (Eclo 43, 27). O homem na verdade, procura encontrar
os caminhos, as veredas que o levem ao encontro com o Senhor (cf.
Sl 24, 4).
A vida consagrada é convidada a tornar-se sinal visível
na Igreja, e no mundo circunscrição das características
de Jesus, pobre e obediente, que brota no terreno desta procura
do rosto do Senhor e das estradas que a Ele conduzem (cf. Jo 14,
4-6). O consagrado deve testemunhar o compromisso alegre e, ao mesmo
tempo, trabalhoso da busca perseverante da vontade de Deus. O que
vai sustentar o seu propósito de procura será a sua
vida de oração.
É notório observar que na vida do consagrado o desejo
de auto-realização pode entrar às vezes em
conflito com os planos comunitários; a procura do bem-estar
pessoal, seja espiritual, seja material, pode tornar difícil
a dedicação total à missão comum. Podermos
interrogar-nos a respeito do que procuramos (cf. Jo 1, 38) de fato:
o que procura o teu coração? Buscas-te a ti mesmo
ou busca o Senhor teu Deus? Segues os teus próprios desejos
ou o desejo d’Aquele que criou o teu coração
e o quer levar à realização, como Ele mesmo
bem sabe e conhece? Corres a procura de coisas passageiras ou buscas
Aquele que nunca passa?
A nossa resposta não deve ser outra: “Senhor, é
teu rosto que procuro” (Sl 26,8). É a resposta do religioso
que compreendeu a unidade e a transcendente extensão do mistério
de Deus, bem como, a soberania da Sua santa vontade, mas também
é a resposta de toda criatura, mesmo que obscura, de sua
busca a verdade e a felicidade.
A busca da vontade de Deus é uma resposta livre do amor ao
Seu amor, para fazer de nós instrumentos do divino amor.
Na via do amor é que desabrocha a flor da escuta e da obediência.
O ato de obedecer é antes de tudo, uma atitude de filho.
“Escuta meu filho” (Pr 1, 8). Só um filho escuta
e obedece ao pai. A obediência é, portanto, a única
via de que dispõe o filho para realizar-se em plenitude.
Quando o filho diz “não” a Deus-Pai compromete
o plano divino e diminui-se a si mesmo, destinando-se a derrota.
A obediência a Deus é caminho de crescimento, de liberdade.
Pois é obedecendo como filho ao projeto do Pai que a pessoa
que crê realiza o seu ser livre. Recordo a entrega que Jesus
fez ao seu Pai tendo a certeza que era a sua vontade, lembra São
Bernardo: “não foi a morte que agradou, mas sim a vontade
d’Aquele que, espontaneamente, morria”. As inúmeras
formas de obediência deve ser entendida na lógica do
amor, da intimidade com Deus, da pertença definitiva Àquele
que nos torna livres quando estamos a serviço do outro.
A autêntica experiência de Deus é sempre experiência
de alteridade. O contato com o Mistério é sempre contato
com o Outro, com uma vontade que, às vezes, é dramaticamente
diferente da nossa. Obedecer a Deus significa experimentar uma liberdade
impensável, chegar às portas do Transcendente que
nos envolve. Tudo deve transformar-se numa experiência de
obediência ao Mistério de um Deus que é, ao
mesmo tempo, está na minha intimidade e radicalmente no outro.
A nossa disposição é deixar-se amar pelo Pai,
acolher incondicionalmente a sua vontade (amor), até chegar
ao ponto de nada poder fazer por si mesmo (cf. Jo 8, 28), mas cumprir
sempre a vontade do Pai. A vontade do Pai é o que sustenta
Jesus em sua missão (cf. Jo 4, 34), o que garante a nós
a alegria da entrada luminosa no coração de Deus,
quando a Sua vontade é o nosso alimento.
Por fim, a obediência não é humilhação,
mas verdade sobre a qual se edifica e realiza a perfeição
do homem. É necessário imitarmos a Cristo e d’Ele
aprender, num gesto de suprema liberdade e confiança incondicional.
O consagrado deve colocar a sua vontade no coração
do Pai, de modo que a oferecer-lhe um sacrifício querido
e perfeito (cf. Rm 12, 1). Tudo por amor ao Amor que se apresenta
a nós como aquele que foi obediente, levando-o a morte e
morte de cruz. Tudo a Ele, por Ele e para Ele. A razão da
nossa obediência, liberdade e Alegria.
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Seminarista José Pereira da Silva
Neto
Aluno do 3º ano do Curso de Teologia
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