|
A
Amizade
Todo ano, o dia vinte de julho comemora-se
o dia internacional dos amigos. Mas afinal, o que é amizade?
Sua etimologia vem do grego - Filia (philia), esta é um dos
sentimentos mais nobre, nasce de forma espontânea e vai se
desenvolvendo até chegar à maturidade. Caracteriza-se
por uma afinidade muito grande com alguém, baseada no carinho,
no respeito, na compreensão, na ajuda. É a primeira
forma de relação fora da família; um sentimento
sincero, que não depende da idade nem da posição
social. É uma maneira de conhecer, de explorar o mistério
do outro, algo muito importante na vida do ser humano.
O amigo é um dom precioso. A própria Bíblia
diz que: “Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro”
(Eclo 6,14). Pois, no relacionamento do cotidiano, entra-se em contato
com muitas pessoas. Mas o amigo torna-se alguém diferente
e único. O filósofo grego Epicuro exprimiu o seu pensamento:
“De todos os bens que a sabedoria nos faculta como meio de
obter a nossa felicidade, o da amizade é de longe o maior”.
A amizade tinha no povo grego uma importância fundamental,
incomparável a que se encontra hoje no mundo e dela se ocuparam
vários filósofos, estudando seus aspectos e fundamentos.
Assim, vemos em Sócrates, Platão e Aristóteles
a dedicação de algumas obras sobre o assunto. Mas,
sobretudo neste último – em sua Ética a Nicômaco
– vamos encontrar reflexões que nos mostram o valor
e a atenção que aquele povo dedicara a esse tema.
Segundo este filósofo existem três razões pelas
quais gostamos uns dos outros: por interesse recíproco, porque
os resultados são bons; pelo prazer recíproco, porque
os resultados são agradáveis; e pela bondade recíproca,
por causa da própria natureza dos amigos. Na concepção
aristotélica de amizade não existe o dom gratuito.
A amizade é, em qualquer circunstância, um dar e receber,
mesmo quando se fala de amizade perfeita. A amizade como dom gratuito
pregada por muitas religiões, principalmente a católica
não existe em Aristóteles porque as pessoas boas se
aproximam dos outros e praticam o bem porque necessitam satisfazer
sua natureza.
Toda a amizade segundo Epicuro deve ser procurada como um bem válido
em si mesmo, ainda que na sua origem esteja a utilidade; não
é amigo quem busca a utilidade, nem quem se recusa a associar
a amizade à ajuda, porque um procura o tráfico da
recompensa e o outro destrói o laço da confiança.
Entretanto, na amizade um dos elementos essenciais é a confiança,
pois ao amigo se fazem confidências, interagindo de forma
recíproca com o escopo de ser verdadeiro: dizer não,
sem medo de ferir, sim sem medo de bajular; e as verdades, sem medo
de ofender. Desta forma, o amigo torna-se mais do que um irmão,
uma oportunidade concedida por Deus a cada ser humano para encontrar
alguém que seja diferente, a tal ponto que, quando esta pessoa
deixa de existir fisicamente fica uma lacuna, uma amargura da perda
como expressou muito bem Santo Agostinho nas Confissões:
“Nem os bosques a menos, nem os jogos e cantos, nem os lugares
suavemente perfumados, nem os banquetes suntuosos, nem os prazeres
da alcova e do leito, nem tão pouco, os livros e versos podiam
disfarçar a amargura do amigo que havia perdido... Os meus
olhos buscavam por toda a parte o amigo que a morte me levara, e
o mundo não mo devolvia. Cheguei a odiar todas as coisas,
porque nada o continha ”.
A amizade é uma virtude, diz Aristóteles e é
a coisa mais necessária a vida. Estas pessoas denominadas
de amigos têm muita influência em nossas vidas. As Sagradas
Escrituras apresentam de forma acentuada esta idéia: “Quem
caminha com os Sábios torna-se sábio, quem se ajunta
aos insensatos torna-se mau” (Pr 13,20). Devemos escolher
bons amigos, pois é fácil escolher mal. Atualmente,
mais do que nunca, nos deparamos com tantos meios que favorecem
fazer amizades, dentre os vários encontramos na internet,
por exemplo: orkut, blog, messenger, etc., onde cada pessoa busca
identificar-se com a outra e assim vai fazendo amigos, mesmo que
seja apenas virtual.
 |
Pe. Ednaldo Virgílio
da Cruz
Vice-Reitor do Seminário de São Pedro
|