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A
Igreja e sua condição dialógica
O homem é um ser de relações.
Não se trata de sociologismo. Em sua estruturação
ele, desde a concepção, já aparece como alguém
que tanto biológica como psicologicamente é ser de
relação. Na atualidade esta elucidação
vem formalmente elucubrada por pensadores de tendência filosófica
judaica como: Emmanuel Levinas e Martin Buber. O fulcro destas idéias
enfatiza a subjetividade humana dinamizada de forma interpessoal
(eu-tu) como, outrossim, em sua diretiva global (homem-mundo). Constituída
por homens, a Igreja considera a realidade com um horizonte antropocêntrico.
O homem é o começo e o fim de toda ação
eclesial. O Concílio já no prefácio da sua
Constituição Pastoral (Gaudium et Spes, 1) Ela é
constituída pelos homens para salvação destes
mesmos homens. O seu alicerce unificador foi, é e sempre
será a Trindade (um Deus em três pessoas, uma entidade,
portanto, também relacional).
Por isso, partindo do que se tem de mais humano, é de fundamental
relevância que seja ousada a missão da Comunidade dos
Discípulos para o cumprimento do mandato missionário.
O “Lançai as redes” do Senhor Jesus (Cf. Lc.
5,4) é categoricamente realçado pelo Papa João
Paulo II, de saudosa memória, na abertura do Ano Santo na
Novo Millenium Ineunte. Longe do que infelizmente é às
vezes formulado por algumas Teologias que, sem a solidificação
do pressuposto da Revelação, imediatizam a dinâmica
missionária e, conseqüentemente, tornam superficiais
as várias práticas desvinculadas do projeto eclesial
(aqui a referência teológica é a Eclesiologia
Paulina, cf. Ef 1,15-23).
Os desafios pastorais da Modernidade estão necessitando de
uma resposta sincronizada às demandas existentes na Civilização.
Para aquilo que os estudiosos estão chamando de Rede de Comunicações
a Igreja deve ousar, confiando na Pedagogia de Jesus, na formação
das Pequenas Comunidades e, mais ainda, como Sacramento de Esperança
para o mundo lançar-se a todos os ambientes humanos para
promoção da vida. Com todos e junto às multidões
a nossa ação deve ser dialógica e personalista,
pois esta é condição sem a qual a eficiência
da Evangelização não estará seguindo
um posicionamento hermenêutico e processual que leve à
eficácia do dinamismo pastoral.
Por isso, tornam-se instigantes algumas questões, como tais:
Que modelo físico e epistemológico se continua a alimentar
para a Evangelização? Este modelo enquadra: os Hospitais?
as Universidades e escolas? os Condomínios? os Assentamentos?
as Favelas e periferias? os locais de Turismo? as Associações
e Centros Comunitários? os Meios de Comunicação?
o Poder Público? etc.?
É mister, por fim, que a ousadia que liberta e salva a pessoa
seja encarada com seriedade por todos os discípulos e missionários
de Jesus, sem carreirismos, desejo de poder, ganância; mas
com equilíbrio de atos e pensamentos que permitam um verdadeiro
ardor que motive os corações que escutam a Palavra
e se convertam a Ela que transfigura o rosto do Mestre, para que
Nele todos os Povos tenham a Vida.
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Pe. Matias Soares
Administrador da Paróquia de São Francisco de Assis
Lagoa de Pedras - RN
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