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A Igreja e o diálogo com a cultura pós-moderna

 

Depois do Concílio Vaticano II e a sua mentalidade que é notoriamente dialógica e renovadora, um novo espírito surge ao interno da Igreja. Basta que seja lido o seu integrado e integralizador documento: Gaudium et Spes. A lógica deste maravilhoso texto ainda não foi absolvida por muitos cristãos católicos. Ela nos coloca diante do grande desafio da Igreja que deve ser para a Humanidade o “Universal Sacramento de Salvação”. Observando a realidade e embasado por aquilo que é magistralmente apresentado por esta Igreja pós-conciliar o que é urgente é o diálogo respaldado por três vias, a saber: 1º) – Verdade; 2º) – Respeito; e o 3º) - Evangelho.

1º) – A Verdade: O evangelista João apresenta Jesus como a Verdade (Jo 14,6) e o seu Espírito é o Espírito da Verdade (Jo 14,17). Nós acreditamos nesta verdade! Ela é uma Pessoa. Ela não se confunde com a “adequação do intelecto a coisa”; mas do intelecto, do coração e do espírito à Pessoa que é a própria manifestação de Deus amor (1 Jo 4,8). Por isso, o nosso diálogo com o mundo não pode ser somente “apologético”. Pois, isto significa em dizer que o outro é para a gente só uma ameaça. O próprio Jesus disse: “Eu vim chamar não os justos, mas os pecadores, para que eles se convertam (Lc 5,32)”. Não esqueçamos que converter-se é mudar de mentalidade por causa do encontro pessoal com Jesus.

2º) – O Respeito: O respeito pelo ‘Outro’ é indispensável para o entendimento do significado do diálogo na Cultura pós-moderna. Isto implica em dizer que a identidade de cada um seja respeitada. Esta responsabilidade, cada indivíduo, como ser pensante, deve ter e esforçar-se para mantê-la. A Igreja, que tem como Protótipo a Trindade, precisa lançar-se para dizer isto ao Mundo. Os pressupostos inerentes a própria ordem sistêmica (Niklas Luhmann) possibilitam um lúcido envolvimento com as diversas institucionalizações de ‘verdades’. Estas não falam duma verdade decorrente e, por isso, contradizem o que é próprio Dela. Não existe forma ingênua de dizer a verdade quando o ‘Outro é respeitado’. O que falta na Civilização neurótica de hoje é a busca do conhecimento da verdade do ‘Outro’ que é a via de encontro sem a qual não se conhece a “Verdade”.

3º) – O Evangelho: poderia ser dito que falta conhecimento da Palavra. Jesus é a Palavra (Jo 1,1). O Evangelho possibilita o diálogo com todas as culturas. O que é importante é o esforço e a coragem de estar no mundo. Pregar e falar do Evangelho é falar de Jesus. A categoria “Reino de Deus” pode colocar-se como princípio hermenêutico na realização deste projeto, que é Dele. A defesa só acontece diante do inimigo. Para o Cristão o ‘Outro’ não pode ser inimigo. Ele é imagem e semelhança de Deus (Gn 1,27). A apologética pré-conciliar não tem lugar numa Igreja que tem consciência da sua identidade missionária. Aprofundemos o espírito de Aparecida e as diretrizes da ação evangelizada traçadas pela última reunião dos Bispos em Itaici. Esta Igreja ou assume sua postura evangélica e missionária ou estará pecando contra o mandado de Jesus que envia: “Ide, pois; de todas as nações fazei discípulos, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a guardar tudo o que vos ordenei. Quanto a mim, eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos tempos (Mt 28,19-20)”.

Por fim, o esforço espiritual e intelectual vem a ser hoje, tendo em vista os desafios atuais, urgente. A coragem não dispensa a sabedoria e a inteligência. O amor àqueles que são carentes da Verdade não dispensa a seriedade das nossas atitudes e nosso testemunho. O diálogo autêntico e evangélico da Igreja com o mundo só vai acontecer quando o cristão assumir como precisa viver, para que todos os Povos tenham vida Nele.


Pe. Matias Soares
Administrador da Paróquia de São Francisco de Assis
Lagoa de Pedras - RN

   

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