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Pe. Marcelo Cezarino fala sobre a Pastoral Carcerária em entrevista
 

Sabemos que a Igreja tem um brilhante trabalho desenvolvido no campo social desde a sua fundação seguindo as orientações de Jesus Cristo o seu fundador, que disse: “Daí vós mesmos de comer”(Mt 14,16). Está ordem de Jesus dada aos discípulos não se resume apenas ao alimento material, mas principalmente o alimento espiritual. Pois, que rumo terá um homem bem alimentado materialmente, mas com idéias desordenadas e sem a esperança que deve nos alimentar pelo Reino de Deus? Diante disso, queremos desde já parabenizar ao senhor, Pe. Marcelo Cezarino, pelo brilhante trabalho que vem fazendo a frente da Pastoral Carcerária de nossa Arquidiocese de Natal, bem como a todos os agentes que compõem as equipes de visitas aos lugares aonde encontram-se guardados os irmãos apenados.
Mas além do desejo de parabenizá-lo, queremos fazer-lhe algumas perguntas que com certeza muitas pessoas têm vontade de dirigir-lhe, mas não tiveram a oportunidade.

Site: -Quando surgiu a vontade de fazer parte da Pastoral Carcerária?
Quando realizava trabalhos pastorais na Paróquia de São João Batista – Pendências-RN, no ano de 2007. Criamos naquela paróquia a Pastoral Carcerária Paroquial e realizávamos trabalhos de visitação e evangelização na Delegacia da cidade. No dia 2 de fevereiro de 2007, o Pe. Robério Camilo pregou um retiro espiritual para os seminaristas do Seminário de São Pedro, sobre a “Eucaristia e Missão”, a temática foi extraída da Encíclica Papal, Sacramentum Caritatis. Naquela ocasião, pedi uma oportunidade para fazer uma experiência na Pastoral Carcerária Arquidiocesana.

Site: -O convite para assumir esta missão foi feito por desejo do Bispo ou a proposta foi apresentada pelo senhor ao Bispo?
O Pe. Robério assumia na Arquidiocese de Natal, a função de Vigário Geral, ele e o Sr. Arcebispo me proporcionaram a experiência.

Site: -Há quanto tempo o senhor desenvolve este trabalho com a Pastoral Carcerária e quando foi que passou a ser o coordenador da mesma?
Desde o dia 17 de dezembro de 2007 eu assumi a coordenação juntamente com Zilmar Dantas e Maria do Rosário, no dia 5 de fevereiro do ano corrente.

Site: -Quantos membros atualmente fazem parte da pastoral e quais são as paróquias que estão envolvidas através de seus paroquianos, pois como sabemos a Pastoral Carcerária sobre sua responsabilidade é Arquidiocesana?
Em Natal, contamos com 35 valiosos membros das diversas paróquias, tais como: Santa Clara – Pitimbu, Nossa Senhora de Lourdes – Petrópolis, Nossa Senhora Aparecida – Neópolis, Nossa Senhora de Fátima – Parque das Dunas, Sant’Ana – Soledade II, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Quintas, São João Batista – Lagoa Seca, São João Batista – Vila de Ponta Negra, Nossa Senhora da Conceição – Nova Parnamirim, Nossa Senhora de Fátima – Parnanmirim. No interior: Nossa Senhora da Conceição – Macau, São João Batista – Pendências, Santa Rita de Cássia – Santa Cruz e Nossa Senhora da Conceição – Nova Cruz. O número acima mencionado corresponde aos agentes de evangelização da capital, pois não contamos com informações concretas de números do interior.

Site: -Qual foi o seu primeiro sentimento no momento de sua primeira visita as grandes penitenciárias?
Minha primeira experiência em penitenciária aconteceu na PEP – Penitenciária Estadual de Parnamirim, foi um momento de muita ansiedade e que resumo em uma palavra: impotencialidade.

Site: -Como é desenvolvido o trabalho pela pastoral? Existem momentos fortes de celebração nos presídios como: Natal, Páscoa, dia dos pais e dia das mães etc.? Se “sim”, como é realizado?
Exatamente. O trabalho acontece com visitas semanais, visitas as famílias, momentos de conversas, evangelização e Missas eventuais. No presídio a Pastoral Carcerária já fez preparação para os sacramentos do Batismo, Crisma, da 1ª Eucaristia e Confissão. O próprio Arcebispo Dom Matias Patrício de Macedo já conferiu o Sacramento da Crisma na Cadeia Pública de Natal – antiga João Chaves.

Site: -Quais são os maiores anseios que o senhor observa nos irmãos apenados que a pastoral acompanha, pois como sabemos não são todos os que se encontram no presídio que vêm ao encontro do senhor e sua equipe?
O trabalho da Pastoral Carcerária é visivelmente um incômodo. Pois incomodamos a Direção das unidades, os Policiais de plantão, os Agentes Penitenciários, o Secretário de Segurança, os Ouvidores, como também, os apenados. Imaginemos o preso no dia de folga, no banho de sol, no momento de lazer e chega um grupo de pessoas, principalmente de mulheres para interromper o que é “bom”: o seu lazer, jogo etc. que está acontecendo. Nós invadimos a privacidade deles! O anseio do preso consiste em atenção. E é o que de melhor fazemos, damos atenção a eles e os escutamos: os seus problemas e reivindicações... Eles falam muito de liberdade, mas...

Site: -Diante da experiência vivida pelo senhor quais são os maiores desafios encontrados?
O maior desafio da Pastoral Carcerária é a perseverança dos novos membros, ela – a pastoral - não desperta interesse, não oferece status, nem dá resultados imediatos. O segundo maior é adentrar nas unidades prisionais, geralmente Policiais e Agentes Penitenciários dificultam bastante o trabalho da pastoral.

Site: -Como disse na pergunta acima, nem todos são acompanhados pela pastoral e nem todos têm o mesmo temperamento todos os dias. Alguns dias os irmãos apenados estão mais agitados, principalmente quando são punidos injustamente pelos agentes penitenciários. Diante disso, o senhor já sentiu medo, ou algum outro sentimento que lhe cause falta de tranqüilidade e segurança ao estar dentro do presídio só o senhor e sua equipe?
Sim. Já presenciamos muitas confusões, tais como: brigas, facadas e tiros, coisas desta natureza aconteceram justamente no momento da evangelização. Isso gera falta de tranqüilidade.

Site: -Qual a avaliação que o senhor faz da visita dos seminaristas do ultimo ano de seminário ao Presídio de Alcaçuz, localizado em Nísia Floresta-RN?
Uma avaliação positiva e bastante otimista! Percebi que a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Mãe da Apresentação pode contar com novos pastores para o serviço de evangelização dos irmãos mais excluídos. Compreendi que aquela visita foi um momento forte na vida dos jovens seminaristas e dos futuros padres da nossa Arquidiocese.

Site: -Por fim agradecemos a gentileza do senhor, Pe. Marcelo, que além de ter essa difícil missão, também faz parte da Equipe de Formação do Seminário de São Pedro. Mas ainda lhe pedimos que o senhor deixe uma mensagem para nós que nos encontramos livres das amarras do sistema prisional, em especial para os jovens e faça as suas considerações finais.
“Olhando do ambiente em que estamos imaginamos que são demônios; chegando as unidades prisionais percebemos que são pessoas; adentrando os presídios encontramos nossos irmãos”.
A vida que a humanidade inteira espera, só será possível com a renovação das atitudes de todos os homens, começando pelos seres evoluídos, mais conscientes. Sabemos que o homem é um ser evolutivo, mas que homem sou eu?

   

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